sexta-feira, 14 de agosto de 2015

PDO e Embarque

Acabei de me ligar que esqueci de fazer um post sobre o PDO, e este vai ter que ser um post super corrido porque logo mais já estou embarcando para os EUA!

Malas prontas, documentos arrumados, despedidas feitas, mestrado defendido, vamos ao que interessa!

No dia 12/07 fomos todos para São Paulo, onde ficamos no hotel Blue Tree Premium Morumbi e nos jogamos na piscina...digo, tivemos o nosso PDO (Pre-Departure Orientation).


Foi uma experiência super legal e além de nós FLTAs, também estavam presentes o pessoal do doutorado sanduíche e três bolsistas do programa de mestrado em roteiro. Tivemos várias pequenas palestras sobre a vida nos EUA, sobre ser um Fulbrighter, uma delas inclusive sendo dada pelo Prof. Jeffrey Lesser, que é professor do departamento de história de Emory e bastante próximo do Dept. De Espanhol e Português. Desta forma, já pude conhecer de antemão um membro do corpo docente de Emory.

De longe, a palestra mais útil e inspiradora foi a da Bibiana, que participou do PDO para nos contar sobre a experiência dela como FLTA em Emory. Sinto uma grande responsabilidade agora de conseguir fazer um trabalho tão bom quanto o dela.

(interlude: ainda teve o plus de sair pra tomar uma cerveja na Paulista com o Prof. Lesser e a Bibiana <3)

No dia 14 fomos todos juntos ao consulado, onde passamos na frente de todo mundo que estava lá esperando na fila (the perks of being a fulbrighter) e a entrevista foi super rápida: basicamente só perguntaram pra onde eu ia, o que ia fazer, visto aprovado).

Novamente, que nem ano passado, os vistos demoraram um pouquinho pra chegar e chegaram bem em cima da hora para o pessoal que teve orientação em Philly no começo de agosto. Inclusive o de uma colega nossa, que tinha que estar na universidade no final de julho, chegou um dia antes dela partir. Por sorte minha orientação só começa dia 16, então chegou com tempo de folga.

Enfim, foi uma ótima experiência ter conhecido todo mundo e agora vamo que vamo: hoje às 18h embarco para a orientação em Stanford, que começa dia 16 e semana que vem já estou em Emory, botando a mão na massa!

domingo, 12 de julho de 2015

Faz muito tempo que não posto aqui, um pouco por falta de tempo e um pouco por preguiça mesmo. Estava no processo final de escritura da dissertação, fui a um congresso em Ponta Grossa com meus amigos FLTAs, resolvendo coisas para quando eu for embora, etc. Neste meio tempo, obviamente aconteceu muita coisa em relação ao processo da Fulbright!

Talvez a coisa mais relevante de todas tenha sido termos sido informados de onde ocorrerá a nossa Summer Orientation (SO) nos EUA antes de irmos de fato para a nossa Host Institution. A minha orientação será em Stanford, e não poderia ter ficado mais feliz com esta novidade! Dentre as opções que vimos de onde que poderiam ser as orientations, esta era a que mais me interessava, por motivos óbvios: Stanford é uma das mais conceituadas universidades do mundo e também fica pertinho de San Francisco. Já fui pra SanFran antes e não curti muito, mas acho que foi porque fiquei em um lugar muito ruim. Espero que a minha visão sobre a cidade mude agora. A orientação será entre os dias 16-20 de agosto, e ficaremos hospedados na universidade durante este período tendo palestras sobre a vida nos EUA, metodologias de ensino, entre outras coisas. Dos FLTAs brasileiros, apenas eu e mais duas garotas iremos para Stanford (uma dela é a Fer, que conheci no congresso de Ponta Grossa no meio de junho, uma fofa). Pelo grupo da SO no Facebook, vi que irão ter várias pessoas do norte da África e Oriente Média (que serão FLTAs de Árabe), algumas pessoas da Europa, e mais alguns de lugares espalhados pelo mundo. Os outros FLTAs brasileiros ficaram distribuídos entre as seguintes universidades para a SO: Notre Dame, Michigan State, UPenn, Arizona State e Syracuse, sendo que acho que quase metade vai para a Upenn e muitos também vão para Notre Dame. Para a Arizona State vão dois ou três, pouquinhos que nem Stanford.

Tive bastante sorte com as datas também. A orientação será de 16 a 20 de agosto, e minha reporting date em Emory é dia 21. Teve gente que teve um gap bem grande entre o fim da orientação e a data para estar na sua HI, alguns terão mais de 10 dias de gap. Isso pode ser bom porque você pode dar uma viajada já, mas este período é todo por sua conta, financeiramente falando. Então para quem não tem dinheiro guardado, ficar mais 10 dias sem rumo é meio complicado.

Neste período de tempo que não postei, a Fulbright começou o processo de implementação da bolsa junto à CAPES e também coisas relacionadas ao visto. Então novamente foram vários forms para assinar, várias coisinhas para preencher no sistema, etc. No momento que escrevo, ainda estamos esperando o dinheiro das passagens (U$1604 para a ida) cair em nossa conta, suponho que deva acontecer na próxima semana. Fica bem em cima da hora para compra das passagens, então quem tiver dinheiro guardado sugiro comprar as passagens antes disso para elas não ficarem caras demais. Comprei as minhas semana passada, porque estava esperando abrir o calendário de junho do ano que vem para já comprar a volta junto. Desta forma a passagem fica muito mais barata.  Ia comprar minhas passagens pela United, que estava mais barato, mas o site não tava afim de aceitar meu cartão, então taquei um foda-se e comprei pela Delta, estava um cadinho mais caro, mas os voos eram mais curtos e ainda acumulo pontos no Smiles haha Meu calendário do meio de agosto ficou da seguinte forma então: dia 11 defendo o mestrado, dia 12 tenho médico, dia 13 tenho festa de despedida, dia 14 byebye Brazil. Uma correria! Chego em San Francisco dia 15 (porque estava mais barato), então ainda vou ter que arrumar um lugar lá por esta noite porque só posso ir para Stanford dia 16. Dia 20 vou pra Atlanta, mas ainda não sei se já poderia ficar na Casa, porque minha reporting date é dia 21. E comprei a volta para o Brasil para dia 01 de junho do ano que vem (bem na semana do meu aniversário)!

Falando em dissertação, descobri que tenho que ser mestre para dar aula em Emory e não fazia ideia disso. Ou seja, não tinha nem a opção de não defender. Desta forma, é bom ficar de olho se por acaso sua Host Institution não requer que s FLTAs sejam mestres. Descobri isso falando com a minha supervisora em Emory, a Ana, que por sinal é de fato uma pessoa fofíssima. Acho que trabalharemos muito bem. Também comecei a participar do grupo de Português na Emory do Facebook e todos foram muito receptivos =D

Daqui a algumas horinhas estou embarcando para São Paulo onde teremos o PDO (Pre-Departure Orientation) e finalmente conhecerei todo mundo! Hoje não temos nada scheduled, mas amanhã teremos várias palestras e novamente tive muita sorte: o Prof. Jeffrey Lesser, um Brazilianist do departamento de história de Emory, será um dos palestrantes, e a FLTA convidada para falar da sua experiência foi a Bibiana, que estava em Emory neste último ano. Já passar o dia todo hoje fofocando com ela e me inteirando de como funciona a vida em Atlanta e em Emory. Na terça iremos ao consulado para tirar nosso visto J1!

Por enquanto é isto, este mês vai ser uma correria com TANTA coisa para resolver antes de partir. Logo depois do PDO quero tentar dar uma passada aqui para escrever sobre o que aconteceu lá e dar mais informações sobre o schedule da Summer Orientation.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

E ontem, dia 19/08, finalmente saiu o resultado do matching e recebemos o nosso ToA (Terms of Appointment) onde explicita as várias coisas que você precisa saber sobre a universidade, como por exemplo o o valor do seu stipend, informações sobre acomodação, refeição, etc. E o resultado é...EMORY UNIVERSITY. Minha primeira opção no ranking. Chega de Processo Seletivo agora!!!

Para falar bem a verdade, essa só foi uma confirmação pois eu já sabia o resultado há duas semanas. Estive mantendo contato com a FLTA que estava em Emory durante 2014-2015, e há duas semanas atrás o resultado chegou na universidade, e ela veio me falar que era eu! Mas claro, neurótico como sou, estava esperando a resposta oficial para ter uma confirmação, mas pelo menos não estava tão nervoso como os meus colegas, que não faziam ideia para onde iam. Todos recebemos o resultado no mesmo momento, de manhã (tem só uma pessoa que eu vi que ainda não recebeu e estão verificando o que aconteceu). Isso me faz crer que eles já tinham os resultados de muitos faz um tempo e estavam esperando ter o de todos para mandar tudo junto, sacanagem com o nosso coraçãozinho <3 Recebemos todos emails individuais da própria Fulbright Brasil por volta das 10h ou 11h desta terça. Como eu só acordei às 14h, já acordei com essa bomba haha

Como eu já tinha tido o meu momento de felicidade há duas semanas atrás, este foi mais um momento de alívio na verdade, mais um momento de "Ok, está tudo certo então." Gostaria de ressaltar mais uma vez como foi importante ter conversado e mantido contato com a TA que estava lá. A Bibi é uma pessoa queridíssima, muito amável e atenciosa.

Estou muito contente de ter conseguido a minha primeira opção no ranking, mas as outras meninas do meu grupo infelizmente não tiveram esta sorte. Todo mundo colocou a Florida International University como última opção, então alguém acabou indo pra lá e não era bem o que queria. Outra coisa chata que aconteceu foi que uma das meninas colocou Notre Dame como primeira opção e outra colocou a University of Miami como primeira opção, e o matching deu o contrário. A que queria ir pra Miami vai pra Notre Dame e a que queria ir pra Notre Dame vai pra Miami, e as duas ficaram chateadíssimas com isso. Então é sempre ficar preparado para qualquer situação e resultado.

Além dos vários pontos positivos que a Bibi já tinha me dito sobre trabalhar em Emory e feito me apaixonar pela universidade, tem várias outros fatores ótimos sobre a universidade. Primeiro que ganho a acomodação e não tenho que me preocupar em alugar um lugar: morarei no campus e ficarei na Casa, Spanish House, com um quarto só pra mim. É uma casa onde moram alunos que estudam espanhol em Emory, pelo que entendi é permitido falar somente em espanhol nas áreas comuns da casa, ela é bem completa com tudo, desde cozinha, living room, study room, a lavanderia, etc. Eu não sei nada de espanhol, e acredito que será uma boa maneira de eu aprender sem ter que fazer aulas (já que estou pensando em voltar a estudar francês e japonês enquanto estiver lá). Eu também ganho um Full Meal Plan, então outra coisa para não se preocupar: não terei que gastar com comida. Além disso, recebemos um monthly stipend para gastarmos com outras coisas, e Emory é bem boa nesse sentido: parece ser a única universidade que te dá dinheiro de acordo com quantas turmas você tem, ou seja, se no segundo semestre me derem duas turmas (ou talvez até no primeiro), ganho mais por isso.

Quanto a datas, o ToA fala que tenho que estar lá dia 21/08 e meu dia final de trabalho é 09/05/2016. No entanto, os TAs sempre tem uma orientation, que geralmente acontece em outra universidade, antes de começarem seus trabalhos. Quanto ao local e data dessa orientation eu não sei ainda, a Bibi falou que ano passado começou dia 10/05 em NY. Isso estragaria um pouquinho uns planejamentos que eu tinha de quando defender a dissertação.

Após recebido o ToA, temos que ler tudo com muita atenção, para não podermos dizer que não estávamos sabendo de algo. Após isso, é só assinar no final e fazer upload no sistema. Nos deram três dias para fazermos isso, bem menos do que o pessoal do ano anterior (parece que eles tiveram uma ou duas semanas).

Por enquanto é isso. Como eu havia dito no último post, nossa Pre-Departure Orientation acontecerá dias 13 e 14 de julho em São Paulo, só não sabemos ainda o local. E agora é esperar para sabermos mais sobre as datas da orientation nos EUA para poder comprar as passagens, e recebermos mais orientações quanto a documentações e o visto <3

E mês que vem, no meio de junho, meus amiguinhos da Fulbright Anna, Lucas e Jean vão vir me visitar em Floripa e iremos juntos ao CIEL (Congresso Internacional de Estudos da Linguagem) em Ponta Grossa. Yay! Estas amizades que fiz decorrente do processo seletivo da Fulbright são realmente ouro. Quando estivermos noa EUA, Anna irá para a The University of Arizona em Tucson, Arizona, Lucas irá para a The Catholic University of American em Washington, D.C., e o Jean irá para a Jackson State University, em Jackson no Mississipi. Amiguinhos espalhados por todos os cantos :)

Neste link é possível ver de onde viemos e para onde vamos. Ainda está incompleto, mas aos poucos irá se completar =D

terça-feira, 12 de maio de 2015


Iniciado o processo de matching, a princípio fiquei bem chateado com as minhas opções. Primeiro por causa das universidades de Miami, como apontei no último post. E depois porque não havia dentre as minha opções nenhuma das grandes universidades americanas, famosíssimas. Como fiquei em terceiro lugar na colocação geral, imaginei que dentre as minhas opções estaria pelo menos uma Ivy League (Brown, Yale e UPenn estavam entre as possibilidades) ou Berkeley. Outra menina que estava no meu grupo e que ficou em segundo lugar se sentiu da mesma forma. As minhas outras duas opções, University of Notre Dame e Emory University, eram universidades que eu quase nunca tinha ouvido falar. Mas depois de alguns dias, comecei a assimilar melhor estas opções e cheguei a conclusão de que eram ótimas!

Como eu já havia decidido que ia colocar as universidades de Miami nas últimas colocações, apenas tive que decidir a ordem. Em terceiro lugar coloquei a University of Miami, já que a veterana de lá havia dito que a universidade é maravilhosa, e em último lugar coloquei a Florida International University. Feito isso, eu apenas precisava decidir quais eu iria colocar em primeiro e segundo lugares.


Na hora em que recebi as opções, na mesma hora pensei: dentre estas, Notre Dame com certeza! A universidade é linda, fica próxima de Chicago (uma das maiores cidades americanas) e é uma das melhores universidades americanas. Sobre Emory eu nunca tinha ouvido falar antes e ficava em Atlanta. Sinceramente, nunca tinha ouvido nada demais sobre Atlanta, nem bom nem ruim. No entanto minha visão mudou completamente depois que comecei a pesquisar melhor as universidades e conversei com os veteranos sobre elas.

Descobri que Emory também é uma das melhores universidades americanas (só que os brasileiros não ouvem falar muito dela) e que Atlanta é uma cidade ótima, inclusive com a terceira maior população LGBT per capita dos EUA (não fazia ideia disso!). Além disso, o clima é ótimo, quente no verão e no inverno fica frio, mas não muito. Bem diferente de Notre Dame, onde é extremamente frio e neva demais. Mas acho que o que mais me ajudou na minha decisão foi pesquisar as opções de disciplinas ofertadas pelas instituições e, principalmente, conversar com os veteranos que estão lá no momento.

Fazendo uma comparação entre Notre Dame e Emory, a segunda apresenta uma variedade muito maior de cursos, inclusive de cursos do meu interesse. Como sou da área de Análise Crítica do Discurso e os EUA não são muito fortes nisso, não seria possível estudar essa área lá, então pulei para a outra área que me interessa: gênero e sexualidade. Nessa área, as disciplinas oferecidas por Emory me interessaram muito mais. Mas o que realmente me convenceu por colocar Emory em primeiro lugar foi conversar com a Bibiana, que trabalhou como TA durante este ano e que está neste momento se preparando para voltar ao Brasil. Ela fez eu me apaixonar pela universidade! Desta a maneira como você leva a sua aula, acomodação, supervisão, auxílio que a universidade te dá para realização de projetos e até a parte financeira. Tudo contribuiu para eu amar a ideia de trabalhar/estudar em Emory e morar em Atlanta.

Desta forma, o meu ranking ficou da seguinte maneira:
1 - Emory University
2 - University of Notre Dame
3 - University of Miami
4 - Florida International University

Achei bem importante colocar coisas naquele campo de additional comments do sistema. Fiz quase uma essay dizendo o porquê eu deveria ir para Emory, e fui bem abusado e coloquei lá porque não gostaria de ir para as universidades de Miami. Suponho que alguém vá ler e deva servir de algo.

Felizmente no meu grupo não houve muita disputa quanto às universidade. Apenas eu coloquei Emory em primeiro lugar, uma garota colocou University of Miami, mas duas garotas colocaram Notre Dame em primeiro.

E nisso entra um grande problema (e crítica) a este sistema de matching: ele é um processo que não é NADA transparente. Não sabemos direito como somos escolhidos. Sabemos que as universidades também recebem as mesmas quatro pessoas como opções e também têm que fazer um ranking destas quatro pessoas, então em teoria rolaria um match dos nossos rankings com os das universidades. No entanto, uma colega achou um guidebook para os supervisores das universidades dizendo que o IIE faria o possível para assegurar a primeira opção das universidades. Mas que era num sistema de "quem chegar primeiro leva". Ou seja, se uma universidade entregar primeiro o ranking me pedindo, mesmo que uma segunda universidade me escolha ela não vai me levar porque a outra entregou primeiro. Em outras palavras, o nosso ranking não valia de nada. Mas estas são apenas especulações, a verdade é que ninguém sabe como isso de fato acontece.

Enfim, agora nos encontramos neste estágio. Pessoas passando mal, pessoas tomando remédio, pessoas enlouquecendo porque ainda estamos na espera pelo resultado. Confesso que me apaixonei tanto por Emory que vou ficar um tanto quanto chateado se não for pra lá, mas estarei tranquilo com qualquer opção que vier.

Ah, e foi confirmada a data para a nossa Pre-Departure Orientation em São Paulo, onde receberemos algumas orientações e tiraremos o visto, tudo pago pela Fulbright (passagem, hospedagem, visto): 13 e 14 de julho :)

No meio de escrever dissertação, qualificar, nervosismos por causa da Fulbright, acabei demorando para continuar a escrever no blog. Mas agora vai!
Como disse no fim do último post, assim que acabou o prazo para envio dos Medical Forms, já começou o processo de matching, muito mais rápido do que esperávamos. Acho que dentre todas as etapas pela qual passamos, esta foi de longe a que nos deixou mais nervo
sos e ansiosos (e é nesta etapa que nos encontramos enquanto escrevo este post, ainda na espera, ainda no nervosismo).

O processo de matching é o processo que irá definir para qual universidade dos EUA nós iremos. Primeiramente, o Luis (coordenador do programa no Brasil) nos perguntou no grupo do Facebook se tínhamos preferência por universidade em área rural ou urbana. Apesar da definição de rural nos EUA ser diferente da nossa (só é uma zona um pouco mais afastada de grandes centros urbanos, mas ainda assim muito self-sufficient), eu corri para pedir que me man
dassem apenas para zona urbano. Adoro grandes centros urbanos e por algum motivo tenho um fascínio por arranha-ceus.
Pois bem, logo após a entrega do medical form, recebemos um email da Fulbright para entrarmos no site do Decision Desk, um sistema muito usado nos EUA para review as applications das pessoas que estão tentando alguma universidade. Quando entramos neste sistema, lá estavam as nossas opções de universidade, cada uma em uma application diferente, onde constavam alguns dados como: localização, tamanho, objetivos, moradia, etc. Esse momento de abrir cada uma das applications e ver qual universidade estava lá foi extremamente emocionante/enervante. Cada grupo de 4 Fulbrighters (com exceção de um grupo) recebeu as mesmas quatro univers
idades como opção, ou seja, estávamos "competindo" entre nós. As minhas quatro opções eram:

- University of Miami (Coral Gables/Miami, Florida)
- Florida International University (Miami, Florida)
- Emory University (Atlanta, Georgia)
- University of Notre Dame (South Bens, Indiana, próxima a Chicago)

Fiquei extremamente nervoso quando vi estas quatro opções, e digo o porquê: quando nos foi perguntado se queríamos área urbana ou rural, pedi urbana, mas coloquei um adendo de "por favor, não me mande para Miami". E quando abro o sistema, BAM, duas das minhas quatro opções são em Miami. Fiquei muito chateado a princípio. Uma veterana que está na University of Miami no momento já tinha nos dado um depoimento dizendo que a universidade é maravilhosa, mas morar em Miami não era nada legal. Além disso, eu gostaria de ter uma experiência bem diferente nos EUA, e morar em um lugar com um clima tão tropical e com uma quantidade tão grandes de brasileiros (e latinos em geral) não era bem algo que eu gostaria...isso sem falar do estereótipo coxinha de se mudar para Miami, mas isso é uma vertente mais política da história. Anyway, Miami é cidade para turista com dinheiro. Além disso, a outra opção de universidade em Miami era uma da qual nunca tinha ouvido falar e que depois de pesquisar também não me interessou muito. Mas vou salvar minhas impressões sobre os lugares para o próximo post, para não deixar este muito longo.

Depois de recebidas estas quatro opções, nosso trabalho era, em teoria, muito simples. Deveriamos apenas fazer no sistema um ranking de qual universidade preferíamos mais ou menos, de 1 a 4, indicar entre uma opções pré-existentes o que nós esperávamos do nosso papel na instituição, e acrescentar comentários (que era opcional). Nunca algo tão simples foi tão difícil, já que tivemos que pesquisar uma a uma as universidades, contrastar os prós e contras e chegar a uma decisão. Afinal, era um ano da nossa vida que estava em jogo!

No próximo post falarei um pouco sobre esse processo de escolher a universidades e o nervosismos causado por isso.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Dando continuidade ao processo seletivo, no dia 19/03 recebemos a confirmação da nossa aprovação pela Fulbright e pelo IIE (Institute of International Education). De todos os que haviam sido previamente aprovados, apenas um garoto desistiu e foi substituido pela primeira suplente. Contudo, já sei que mais pessoas ainda irão desistir do processo, porque passaram em concurso, ou resolveram focar em alguma outra coisa. Alguns suponho que também esteja esperando saber para qual instituição irão para decidirem se querem seguir com o programa.

Junto com esta aprovação final, recebemos também o Medical Form, um documento referente ao nosso estado de saúde, que precisava ser preenchido por um médico e depois uppado no sistema da Fulbright. Tinha até 15/04 para fazer esta parte. Uma dica valiosa para esta etapa: não deixe para a última hora!

Uma série de coisas são requeridas no Medical Form, e você nunca sabe que tipos de problemas podem surgir. As experiência dos Fulbrighters com esse Medical Form foram as mais variadas possíveis. No meu caso, mais uma vez, foi super tranquilo. Muita sorte. Aproveitei que eu estava com dor de garganta e já ia no médico da mesma forma, e levei o form. Expliquei a situação para ele e ele assinou com o maior prazer, disse que eu mesmo podia preencher as informações referentes ao meu histórico de saúde (já que é óbvio que ele não iria saber), e ficamos um bom tempo falando sobre a vida e sobre o programa. Foi realmente surpreendente, não esperava que ele fosse ser tão simpático.

Outras pessoas não tiveram tanta sorte. Em muitos casos o médico pediu que a pessoa fizesse uma série de exames para então ele poder assinar, tais como exames de HIV e diabetes. Outros tiveram que pagar uma alta quantia pelo appointment com o médico. O meu caso foi realmente muito tranquilo. Referente ao que se pede no form, o único exame que é de fato requerido pela Fulbright é o de tuberculose, que é um exame muito simples e que leva de 48h a 72h para ficar pronto. Caso a sua reação no exame de tuberculose dê acima de 10mm, você terá que fazer um raio-x do tórax para verificar se realmente tem tuberculose. Caso tenha, não sei o que aconteceria, já que não foi o caso de ninguém no nosso grupo. No mais só é necessário preencher o seu histórico médico, elencando os problemas de saúde que já teve, cirurgias, medicamentos que toma com regularidade, os últimos médicos que visitou, etc. Não é necessário anexar com o medical form nenhum dos laudos dos exames. Também é necessário colocar as datas em que tomou três tipos de vacinas: polio (três doses) DPT (três doses) e Tríplice Viral. Uma das doses da DPT tem que ter sido tomada nos últimos 10 anos. Caso tenha perdido a carteira de vacinação mas tiver certeza que tomou alguma destas vacinas, pode simplesmente colocar Childhood, muy simples.

Caso tiver algum problema ou dúvida referente ao programa e sua condição de saúde, pode entrar em contato com a Fulbright, porque eles são muito solícitos e atenciosos.

Neste meio tempo em que estávamos preenchendo o Medical Form, o pessoal se juntou para pedir que o Luis divulgasse a lista de aprovados contando com a classificação de cada. Para isso era necessário a aprovação de todos os candidatos. Anna amada fez uma enquete no Facebook e todos concordaram em ter relevada a classificação dos candidatos. Fiquei em terceiro lugar entre os 45 aprovados, o que foi uma colocação bem boa.

Assim que terminamos de colocar no sistema os Medical Forms, sabíamos que a próxima etapa seria o matching, o processo em que é decidido para qual universidade dos EUA nós iremos. Mas não esperávamos que ele já fosse começar tão rápido após o envio do Medical Form
...

Processo Seletivo (Parte II)

Continuando a discutir o processo seletivo, que foi iniciado no post passado...

Pois bem, recebi o resultado, estou dentro!...ou não. Acontece que este resultado que recebemos em dezembro é apenas um resultado preliminar feito pela Comissão Fulbright do Brasil em conjunto com a CAPES. Após esta etapa, ainda há o tempo para a interposição de recursos e os aprovados preliminares tem seus documentos enviados para a Fulbright dos EUA para que eles deem a aprovação final. Este resultado final ainda demoraria meses para vir. Mas após conversa com os veteranos do ano anterior, já ficamos sabendo que é extremamente raro que alguém não seja aprovado. A única coisa que geralmente acontece é ter pessoas que passaram e desistem da bolsa, por uma série de motivas. Estas pessoas são então substituidas imediatamente pelo próximo suplente na lista.

Liberado o resultado, 45 foram os aprovados neste resultado preliminar (preenchendo todas as 45 vagas abertas no edital). A lista é liberada em ordem alfabética, então não sabemos em que colocação ficamos no geral, com exceção da lista de suplentes, que está na ordem de colocação. Foi muito bom que junto com o email de confirmação da nossa aprovação, também já fomos convidados a entrar em um grupo no Facebook feito para os aprovados (onde mais tarde também seria liberado que os veteranos entrassem). Através deste grupo já ficamos sabendo quem eram nossos colegas, pudemos trocar ideias, nos apresentarmos, etc. Já imediatamente criamos um grupo no Whatsapp, onde também compartilhavamos informações, discutiamos assuntos relacionados ao programa, fofocávamos e falávamos besteira. Infelizmente nem todos eram presentes nestes grupos. Este tipo de interação foi a melhor coisa do programa até o momento, porque pudemos nos conhecer melhor, aprender com as nossas diferenças, e criar amizades valiosíssimas (eu pelo menos já criei algumas que gostaria de levar pra sempre).

Quando recebemos este primeiro resultado, começou uma correria para algumas pessoas - e este é um ponto bem importante para quem for tentar no futuro e já quiser se preparar. Tínhamos que entrar no sistema da Fulbright e declarar nosso interesse em participar do programa - até aí tudo bem, fácil. Mas então ficamos sabendo que tínhamos até 31/01/2015 para também entrar no sistema e anexar traduções (juramentadas ou certificadas) dos nossos diplomas e históricos e também uma digitalização do nosso passaporte válido até seis meses após o fim do programa (no nosso caso, o passaporte deveria ser válido até Dezembro/2016). Eu não tive nenhum problema nesta etapa porque por sorte tudo estava certo com a minha documentação, mas outros não tiveram tanta sorte assim.

É importante lembrar que recebemos estas instruções dia 22/12, e no fim do ano nada funciona. Ou seja, qualquer problema referente a estas documentações em geral só começariam a ser vistos no início de janeiro e tinha até dia 31 do mesmo mês para enviar tudo. Eis aqui alguns dos problemas que ocorreram:

- Havia pessoas que ainda não tinham se graduado e portanto ainda precisavam colar grau. Esta foi uma grande correria para muita gente, pois precisaram entrar em contato com a universidade, dar uma chorada para adiantarem a colação, para conseguirem receber o diploma (ou um certificado de conclusão) para daí ainda poderem mandar para um tradutor.

- Havia pessoas cujo passaporte expirava antes da data necessária. Também foi necessário correr na Polícia Federal e agendar para tirar passaporte. O problema é que muitas vezes a PF está sobrecarregada confeccionando passaportes e a próxima data disponível para agendamente é para daqui a meses. Várias pessoas tiveram que ir lá e também dar uma chorada, explicar a situação, e pedir para agendarem para antes. Houve até o caso de um colega nosso cujo passaporte também iria expirar e ele estava na Alemanha durante janeiro inteiro fazendo um curso, tendo que dar um jeito lá na Alemanha de conseguir um passaporte novo.

- Teve gente que também teve problema nas traduções, que demoraram um pouco para serem feitas
(mas foram poucos que tiveram esse tipo de problema). As traduções poderiam ser juramentadas ou certificadas. As juramentadas são boas porque serviriam para a posteridade e tanbém poderiam ser usadas em qualquer país, mas são bem mais caras. As certificadas são feitas por tradutores associados a Education USA, e são válidas apenas para os EUA, sendo bem mais baratas (foi essa opção que escolhi).

Enfim, caso você já esteja sentindo a sua aprovação, seria bom já tentar fazer esta regularização de documentos antecipadamente, para não ter problemas em cima da hora.

Passada toda essa correria, documentados devidamente uploaded no sistema da Fulbright, veio a calmaria...calmaria até demais, porque adivinhem o que veio depois...espera, e mais espera.

[To be continued...]



Boa noite a todos (seja lá a quem esse "todos" esteja se referindo)

Meu nome é Felipe, e comecei este blog como um exercício terapêutico para eu apresentar, discutir e compartilhar a minha experiência como Foreign Language Teaching Assistant (FLTA) de português pela Fulbright nos Estados Unidos. No exato momento em que escrevo isso ainda estou passando por parte do processo seletivo, já que na verdade ainda nem sei para qual instituição dos EUA eu irei. O meu objetivo com este blog é poder colocar em palavras toda esta experiência que já está sendo incrível (e olha que nem começou de verdade!) e com certeza será muito mais incrível ainda. Outro objetivo é para as pessoas futuramente interessadas em tentar esta bolsa tenham algo para se guiar, terem noção do que vai acontecer, já que está é uma das principais coisas que nos deixam loucos: não saber exatamente o que está por vir. Lastly, eu também precisava de um motivo para procrastinar e não escrever a minha dissertação.

Neste primeiro post gostaria de primeiro me apresentar e logo em seguida cobrir a primeira parte do processo seletivo, desde o que o programa realmente é, do lançamento do edital até o primeiro resultado preliminar dos escolhidos para a bolsa.


Bom, first things first, como já disse meu nome é Felipe Leandro de Jesus. Fun facts about me: não gosto de nenhum dos meus nomes, mas na dúvida usem meu primeiro nome ou um apelido carinhoso, realmente odeio que me chamem de Leandro. Meu sobrenome também é outro ódio que tenho, porque sou ateu e ter o sobrenome Jesus é realmente um paradoxo (mas que fica divertido quando penso em como as pessoas me citarão futuramente, "De acordo com Jesus (2015)...". Bom, sou graduado em Língua Inglesa e Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina e estou terminando o mestrado pela mesma instituição no Programa de Pós-Graduação em Inglês: Estudos Linguísticos e Literários, na área de Análise Crítica do Discurso, com foco em sexualidade e representação de gênero, e realmente gostaria muito de conseguir defender antes de ir para os EUA.


Vamos então ao que importa: o que é esta bolsa e como funciona o processo seletivo.


Esta bolsa é a Foreign Language Teaching Assistant (FLTA), oferecida em conjunto pelos governos americano e brasileiro através do Programa Fulbright e da CAPES. A Fulbright é um programa de grants (bolsas) que visa a cooperação e intercambio internacional no âmbito da educação, sendo um dos programas mais competitivos e prestigiados do mundo. Em outras palavras, ter a Fulbright no seu currículo vale ouro. O programa tem uma variedade de bolsas em diversas áreas e entre esta bolsas está o FLTA. O FLTA é um programa de intercâmbio educacional e cultural que tem como objetivo levar estramgeiros para universidades americanas, onde eles ensinarão a língua materna do seu país e terão a oportunidade de também fazer disciplinas nestas universidades. Também há um programa na mão inversa, o ETA (English Teaching Assistant), que leva universitários americanas para universidades de outros países para ensinar inglês. O Brasil vem recebendo uma grande quantidade de ETAs anualmente, principalmente depois da criação do Ciências sem Fronteiras e Inglês sem Fronteiras (agora parte do Idiomas sem Fronteiras). Enfim, é uma experiência onde teremos uma troca cultural muito grande e onde poderemos desenvolver ainda mais as nossas habilidades de ensino.


Para a seleção desta bolsa, toda ano é lançado um edital em conjunto pela Fulbright e CAPES e onde estarão descritos todos os requerimentos para participar do programa e de maneira bem geral como funciona o processo seletivo. Começarei então falando um pouco do edital: eu já conhecia o programa de longa data, pois pesquisava frequentemente possíveis bolsas internacionais e por já conhecer pessoas que tinham participado deste programa. Como esta bolsa requer que você já seja graduado ou esteja se graduando, esperei pelo meu momento. Enfim ele chegou ao ser lançado o edital n. 56 da CAPES em agosto (o edital sempre é lançado por volta de julho/agosto). Para poder participar do processo seletivo, o edital elenca alguns requerimentos:

- É necessário ter nacionalidade brasileira e NÃO possuir nacionalidade americana.
- Possuir bacharelado em língua inglesa ou língua portuguesa, com conclusão após 31/12/2009.
- Ter proficiência em inglês.
- Não receber ou ter recebido bolsa para o mesmo objetivo.
- Residir no Brasil.

Entre os benefícios do programa, está um auxílio deslocamento para compra de passagens entre Brasil-EUA-Brasil; bolsa nos EUA para moradia, alimentação, entre outras coisas (o valor desta bolsa varia de caso para caso); o bolsista deverá cursar duas disciplinas na universidade americana por semestre, sendo que uma desta deve ser relacionada aos EUA (cultura ou história americana).

E assim se inicia o processo seletivo para FLTA 2015-2016! A primeira parte do processo consiste na análise da documentação que irá ser submetida através do sistema da Fubright. Após esta parte, haverá uma entrevista para os que passaram naprimeira etapa.

Assim que começar a preencher a sua application no sistema da Fulbright, terá uma série de coisas que serão necessárias fazer, mas de longe as mais trabalhosas são as essays (redações) que o candidato terá que fazer. No total são três essays: uma carta motivacional falando porque você está interessado neste programa e porque acha que deveria ser agraciado com a bolsa, uma essay sobre as metodologias que você empregaria em sala de aula, e uma essay sobre troca cultural, na qual você terá que discorrer sobre como poderia trazer a sua cultura para dentro da universidade americana. A mais longa e trabalhosa é a primeira, que funciona como a sua carta de apresentação para o programa, então é bom caprichar nela! As outras duas essays são bem menores, mas também muito importantes.

Além destas essays, você terá que ter três cartas de recomendação. Você pode simplesmente registrar no sistema o email das pessoas que escreverão estas cartas e elas receberão um email com o acesso ao sistema para redigir estas cartas. Você também tem a opção de abrir mão do acesso a estes documentos, que foi o que eu fiz. Até hoje tenho curiosidade de saber o que falaram de mim nestas cartas. Eu suponho que elas sejam documentos de suma importância no processo seletivo, então é bom pedir para alguém que você confie e que sabe que vai falar muito bem de você.

Também será necessário anexar no sistema uma digitalização de um documento de identidade e cópias do seu histórico e diploma de graduação (se tiver estes documentos referentes a mestrado e/ou doutorado, pode anexar também). Um documento atestando a sua proficiência em língua inglesa também é requerido, e consta no edital quais testes que são aceitos. Por sorte aceitavam o Toefl ITP, que está sendo oferecido gratuitamente pelo governo. Se fosse necessário fazer o Toefl IBT eu sentiria uma facada no bolso, pois é um teste extremamente caro.

Além de todos estes documentos, também será necessário preencher no próprio sistema uma série de informações referentes a você e ao programa, por exemplo: haveria alguma região dos EUA para a qual você tem preferência ou que não gostaria de ir, quais são suas áreas de interesse acadêmico, entre outros.

Após ter terminado de preencher todas estas informações, ter feito upload de todas as suas essays, e de ter recebido confirmação de que suas cartas de recomendação foram submetidas, você submete sua application como um todo e...

...espera. Espera e espera e espera mais um pouco. Tudo neste programa sempre envolve uma espera dolorosa e uma dúvida sobre o que exatamente vai acontecer depois. A data final para submissão da application foi 19/10, e no edital estava escrito que as estrevistas ocorreriam durante novembro e que o resultado preliminar sairia em dezembro. Contudo, já era fim de novembro e ainda não haviamos obtido nem sinal de fumaça da Fulbright. Já estava perdendo as esperanças quando, em 28/11, recebi o email da Fulbright dizendo que eu havia passado para a parte das entrevistas. e que a mesma ocorreria no dia 04/12 às 10h50 por telefone. Não sei quantas pessoas haviam participado do processo seletivo, mas 95 foram aquelas que participaram da parte da entrevista (no edital falava que até 100 poderiam participar desta etapa). No momento que recebi o email levei um susto, porque eu tenho pavor de falar no telefone, fico extremamente nervoso. Ainda mais que teria que falar em inglês pelo telefone!


No fatídico dia da entrevista, pedi para todos os meus colegas do apartamento saírem da sala para eu poder fazer a entrevista pelo telefone, reli todas as minhas essays, e fiquei esperando. Apenas com alguns minutinhos de atraso me ligaram. No começo e fim da ligação, falei com o Luis, coordenador do programa na Comissão Fulbright, mas a parte da entrevista em

si foi conduzida por uma professora cujo o nome eu infelizmente não consigo me recordar. Como era de esperado, eu estava extremamente nervoso, e quando eu estou nervoso, a minha língua parece que se nega a falar inglês. Apesar de estar falando com fluência, as palavras saiam todas enroladas. A entrevistadora foi um doce de pessoa, e toda a entrevista foi conduzida em inglês. Ela basicamente abordou os pontos que eu já havia apontado nas minhas essays, e fez perguntas referentes a que tipos de metodologias eu usaria em sala de aula, como eu traria a minha cultura para a instituição, etc. Também perguntou um pouco da minha vida, com o que eu trabalhava na universidade, etc.

Aparentemente o processo da entrevista foi bem diferente dependendo de quem era seu entrevistador. A minha foi toda em inglês, teve gente que disse que a sua foi parte em inglês e parte em português, outros ainda disseram que quase toda a sua entrevista foi em português. Ou seja, no fim esteja preparado para ser tudo em inglês. Ao fim da entrevista ela me perguntou se eu tinha alguma dúvida, e só disse que gostaria de saber quando or esultado sairia. Ela me respondeu que sairia perto do natal, e disse "I'm sure it will be a good result". Esse tipo de coisa me deixa muito nervoso, porque cria uma expectativa maior ainda em você, e caso não dê certo você ficará ainda mais chateado hahaha


No dia 22/12, quase natal mesmo, recebi o resultado por email. Lembro que estava em Joinville, visitando minha família, e estava no shopping fazendo compras com a minha mãe e a minha irmã. Assim que saímos do estacionamento e entramos no shopping, recebi o email no meu celular. Naquele momento eu queria explodir de felicidade, mas como sou uma pessoa que adora tratar as situações bombásticas como se fossem whatever, simplesmente olhei para a minha mãe com uma poker face e disse "Ganhei a bolsa. To indo pros EUA". E o mais engraçado foi que ela demorou pra processar a informação, depois que já estávamos andando pelo shopping que a ficha dela começou a cair e ela ficou tipo "Pera, mas quanto tempo você vai passar fora!? Como assim ganhou a bolsa!?".


E aqui começa a segunda parte deste looongo processo, o que deixarei para o próximo post.