Boa noite a todos (seja lá a quem esse "todos" esteja se referindo)
Meu nome é Felipe, e comecei este blog como um exercício terapêutico para eu apresentar, discutir e compartilhar a minha experiência como Foreign Language Teaching Assistant (FLTA) de português pela Fulbright nos Estados Unidos. No exato momento em que escrevo isso ainda estou passando por parte do processo seletivo, já que na verdade ainda nem sei para qual instituição dos EUA eu irei. O meu objetivo com este blog é poder colocar em palavras toda esta experiência que já está sendo incrível (e olha que nem começou de verdade!) e com certeza será muito mais incrível ainda. Outro objetivo é para as pessoas futuramente interessadas em tentar esta bolsa tenham algo para se guiar, terem noção do que vai acontecer, já que está é uma das principais coisas que nos deixam loucos: não saber exatamente o que está por vir. Lastly, eu também precisava de um motivo para procrastinar e não escrever a minha dissertação.
Neste primeiro post gostaria de primeiro me apresentar e logo em seguida cobrir a primeira parte do processo seletivo, desde o que o programa realmente é, do lançamento do edital até o primeiro resultado preliminar dos escolhidos para a bolsa.
Bom, first things first, como já disse meu nome é Felipe Leandro de Jesus. Fun facts about me: não gosto de nenhum dos meus nomes, mas na dúvida usem meu primeiro nome ou um apelido carinhoso, realmente odeio que me chamem de Leandro. Meu sobrenome também é outro ódio que tenho, porque sou ateu e ter o sobrenome Jesus é realmente um paradoxo (mas que fica divertido quando penso em como as pessoas me citarão futuramente, "De acordo com Jesus (2015)...". Bom, sou graduado em Língua Inglesa e Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina e estou terminando o mestrado pela mesma instituição no Programa de Pós-Graduação em Inglês: Estudos Linguísticos e Literários, na área de Análise Crítica do Discurso, com foco em sexualidade e representação de gênero, e realmente gostaria muito de conseguir defender antes de ir para os EUA.
Vamos então ao que importa: o que é esta bolsa e como funciona o processo seletivo.
Esta bolsa é a Foreign Language Teaching Assistant (FLTA), oferecida em conjunto pelos governos americano e brasileiro através do Programa Fulbright e da CAPES. A Fulbright é um programa de grants (bolsas) que visa a cooperação e intercambio internacional no âmbito da educação, sendo um dos programas mais competitivos e prestigiados do mundo. Em outras palavras, ter a Fulbright no seu currículo vale ouro. O programa tem uma variedade de bolsas em diversas áreas e entre esta bolsas está o FLTA. O FLTA é um programa de intercâmbio educacional e cultural que tem como objetivo levar estramgeiros para universidades americanas, onde eles ensinarão a língua materna do seu país e terão a oportunidade de também fazer disciplinas nestas universidades. Também há um programa na mão inversa, o ETA (English Teaching Assistant), que leva universitários americanas para universidades de outros países para ensinar inglês. O Brasil vem recebendo uma grande quantidade de ETAs anualmente, principalmente depois da criação do Ciências sem Fronteiras e Inglês sem Fronteiras (agora parte do Idiomas sem Fronteiras). Enfim, é uma experiência onde teremos uma troca cultural muito grande e onde poderemos desenvolver ainda mais as nossas habilidades de ensino.
Para a seleção desta bolsa, toda ano é lançado um edital em conjunto pela Fulbright e CAPES e onde estarão descritos todos os requerimentos para participar do programa e de maneira bem geral como funciona o processo seletivo. Começarei então falando um pouco do edital: eu já conhecia o programa de longa data, pois pesquisava frequentemente possíveis bolsas internacionais e por já conhecer pessoas que tinham participado deste programa. Como esta bolsa requer que você já seja graduado ou esteja se graduando, esperei pelo meu momento. Enfim ele chegou ao ser lançado o edital
n. 56 da CAPES em agosto (o edital sempre é lançado por volta de julho/agosto). Para poder participar do processo seletivo, o edital elenca alguns requerimentos:
- É necessário ter nacionalidade brasileira e NÃO possuir nacionalidade americana.
- Possuir bacharelado em língua inglesa ou língua portuguesa, com conclusão após 31/12/2009.
- Ter proficiência em inglês.
- Não receber ou ter recebido bolsa para o mesmo objetivo.
- Residir no Brasil.
Entre os benefícios do programa, está um auxílio deslocamento para compra de passagens entre Brasil-EUA-Brasil; bolsa nos EUA para moradia, alimentação, entre outras coisas (o valor desta bolsa varia de caso para caso); o bolsista deverá cursar duas disciplinas na universidade americana por semestre, sendo que uma desta deve ser relacionada aos EUA (cultura ou história americana).
E assim se inicia o processo seletivo para FLTA 2015-2016! A primeira parte do processo consiste na análise da documentação que irá ser submetida através do sistema da Fubright. Após esta parte, haverá uma entrevista para os que passaram naprimeira etapa.
Assim que começar a preencher a sua application no sistema da Fulbright, terá uma série de coisas que serão necessárias fazer, mas de longe as mais trabalhosas são as essays (redações) que o candidato terá que fazer. No total são três essays: uma carta motivacional falando porque você está interessado neste programa e porque acha que deveria ser agraciado com a bolsa, uma essay sobre as metodologias que você empregaria em sala de aula, e uma essay sobre troca cultural, na qual você terá que discorrer sobre como poderia trazer a sua cultura para dentro da universidade americana. A mais longa e trabalhosa é a primeira, que funciona como a sua carta de apresentação para o programa, então é bom caprichar nela! As outras duas essays são bem menores, mas também muito importantes.
Além destas essays, você terá que ter três cartas de recomendação. Você pode simplesmente registrar no sistema o email das pessoas que escreverão estas cartas e elas receberão um email com o acesso ao sistema para redigir estas cartas. Você também tem a opção de abrir mão do acesso a estes documentos, que foi o que eu fiz. Até hoje tenho curiosidade de saber o que falaram de mim nestas cartas. Eu suponho que elas sejam documentos de suma importância no processo seletivo, então é bom pedir para alguém que você confie e que sabe que vai falar muito bem de você.
Também será necessário anexar no sistema uma digitalização de um documento de identidade e cópias do seu histórico e diploma de graduação (se tiver estes documentos referentes a mestrado e/ou doutorado, pode anexar também). Um documento atestando a sua proficiência em língua inglesa também é requerido, e consta no edital quais testes que são aceitos. Por sorte aceitavam o Toefl ITP, que está sendo oferecido gratuitamente pelo governo. Se fosse necessário fazer o Toefl IBT eu sentiria uma facada no bolso, pois é um teste extremamente caro.
Além de todos estes documentos, também será necessário preencher no próprio sistema uma série de informações referentes a você e ao programa, por exemplo: haveria alguma região dos EUA para a qual você tem preferência ou que não gostaria de ir, quais são suas áreas de interesse acadêmico, entre outros.
Após ter terminado de preencher todas estas informações, ter feito upload de todas as suas essays, e de ter recebido confirmação de que suas cartas de recomendação foram submetidas, você submete sua application como um todo e...
...espera. Espera e espera e espera mais um pouco. Tudo neste programa sempre envolve uma espera dolorosa e uma dúvida sobre o que exatamente vai acontecer depois. A data final para submissão da application foi 19/10, e no edital estava escrito que as estrevistas ocorreriam durante novembro e que o resultado preliminar sairia em dezembro. Contudo, já era fim de novembro e ainda não haviamos obtido nem sinal de fumaça da Fulbright. Já estava perdendo as esperanças quando, em 28/11, recebi o email da Fulbright dizendo que eu havia passado para a parte das entrevistas. e que a mesma ocorreria no dia 04/12 às 10h50 por telefone. Não sei quantas pessoas haviam participado do processo seletivo, mas 95 foram aquelas que participaram da parte da entrevista (no edital falava que até 100 poderiam participar desta etapa). No momento que recebi o email levei um susto, porque eu tenho pavor de falar no telefone, fico extremamente nervoso. Ainda mais que teria que falar em inglês pelo telefone!
No fatídico dia da entrevista, pedi para todos os meus colegas do apartamento saírem da sala para eu poder fazer a entrevista pelo telefone, reli todas as minhas essays, e fiquei esperando. Apenas com alguns minutinhos de atraso me ligaram. No começo e fim da ligação, falei com o Luis, coordenador do programa na Comissão Fulbright, mas a parte da entrevista em
si foi conduzida por uma professora cujo o nome eu infelizmente não consigo me recordar. Como era de esperado, eu estava extremamente nervoso, e quando eu estou nervoso, a minha língua parece que se nega a falar inglês. Apesar de estar falando com fluência, as palavras saiam todas enroladas. A entrevistadora foi um doce de pessoa, e toda a entrevista foi conduzida em inglês. Ela basicamente abordou os pontos que eu já havia apontado nas minhas essays, e fez perguntas referentes a que tipos de metodologias eu usaria em sala de aula, como eu traria a minha cultura para a instituição, etc. Também perguntou um pouco da minha vida, com o que eu trabalhava na universidade, etc.
Aparentemente o processo da entrevista foi bem diferente dependendo de quem era seu entrevistador. A minha foi toda em inglês, teve gente que disse que a sua foi parte em inglês e parte em português, outros ainda disseram que quase toda a sua entrevista foi em português. Ou seja, no fim esteja preparado para ser tudo em inglês. Ao fim da entrevista ela me perguntou se eu tinha alguma dúvida, e só disse que gostaria de saber quando or esultado sairia. Ela me respondeu que sairia perto do natal, e disse "I'm sure it will be a good result". Esse tipo de coisa me deixa muito nervoso, porque cria uma expectativa maior ainda em você, e caso não dê certo você ficará ainda mais chateado hahaha
No dia 22/12, quase natal mesmo, recebi o resultado por email. Lembro que estava em Joinville, visitando minha família, e estava no shopping fazendo compras com a minha mãe e a minha irmã. Assim que saímos do estacionamento e entramos no shopping, recebi o email no meu celular. Naquele momento eu queria explodir de felicidade, mas como sou uma pessoa que adora tratar as situações bombásticas como se fossem whatever, simplesmente olhei para a minha mãe com uma poker face e disse "Ganhei a bolsa. To indo pros EUA". E o mais engraçado foi que ela demorou pra processar a informação, depois que já estávamos andando pelo shopping que a ficha dela começou a cair e ela ficou tipo "Pera, mas quanto tempo você vai passar fora!? Como assim ganhou a bolsa!?".
E aqui começa a segunda parte deste looongo processo, o que deixarei para o próximo post.